10 de junho de 2009

O vermelho é usado em 80% dos títulos de filmes de comédia. Os motivos são diversos, o maior deles é a liberdade que os designers têm para chamar atenção. Quando um filme tem como função apenas divertir e causar risadas, mais liberdade existe para o marketing agressivo. E usar o vermelho em textos negritados é uma apelação que acaba trazendo muito retorno em filmes desse tipo.

Para exemplificar, imagine-se passando pelo cinema e avistando um cartaz com fundo preto e título cinza. Pouco chama atenção e traz a sensação de um filme sóbrio, um drama ou uma ficção.

Agora imagine-se passando pelo cinema e avistando um cartaz branco, com imagens bem coloridas e texto BEM GRANDE em vermelho e negrito, de preferência em 3D. Acaba por chamar muito mais atenção, coisa que um filme mais "sério" não poderia fazer, pois perderia toda credibilidade.

Pensando nisso, o conhecido site humorístico CollegeHumor fez mais um vídeo para nós, designers.



8 de junho de 2009

Esse é o logotipo criado para a cidade de São Paulo como sede da Copa do Mundo de 2014.

Logotipo SP Copa 2014

Cerca de uma semana atrás ele foi exposto ao público, e desde o primeiro momento gerou inúmeras discussões web afora. Fato é que o logotipo é terrível, em todos os sentidos.

A agência autora da “façanha” foi a MPM Propaganda. Aliás, a própria agência se refere ao logotipo como “logomarca”. E como todos sabemos, ou devemos saber, “logomarca” não existe.

No Flickr da MPM o ringue foi armado e rolaram muitas cabeças nesses últimos dias com a discussão acalorada. Eu fico imaginando o tamanho da vergonha que os coitados estão passando, e chego a criar um leve suspiro de pena dentro de mim. Mas logo eu revejo o logotipo, e toda essa pena vai embora num instante.

Como é que um grupo de ditos profissionais de criação deixam um logo desses ser aprovado? O criador, certamente, tem nível de estagiário. Não que isso seja algo ruim, estagiários/iniciantes estão lá para aprender também. Muita bobagem é perdoada quando estamos em começo de carreira. O grande problema é que o logotipo foi criado pelo infeliz “designer” e aprovado pelas grandes cabeças da MPM. Não existe muito perdão pra esse tipo de coisa. Defender um trabalho desse nível só piora a situação da agência. Deveriam sim, entender o feedback negativo e tomar as devidas providências. Aliás, deveriam mensurar esse feedback antes de aprovar qualquer coisa.

Sobre o logotipo em si, precisavam usar a fonte da Ferrari? E em vermelho! Isso se chama amadorismo, trabalho de micreiro, de sobrinho, ou qualquer expressão clássica entre os designers para referenciar alguém ruim da área. Outro ponto negativo são esses laços soltos. A primeira vista eu não vi nada, depois de um tempinho notei que era um jogador dando o chamado “voleio” na bola, e só depois de ler inúmeras discussões e rever o logotipo por diversas vezes que percebi que também eram as letras “SP”. Mas se são letras, o que são as bolas? Nada? Ok. E as cores, existe algum motivo pra esse carnaval? Pra mim parece sem sentido algum, até que me provem ao contrário.

Talvez não ficasse TÃO ruim se fosse usada a mesma idéia para um campeonato de ginástica, daquelas que usam aqueles laços... não, acho que não. Cadê a harmonia geométrica? Apaga, muda tudo e refaz. Ou não, né senhora MPM? Uma dica importante para não passar mais por problemas desse tipo é ler bastante sobre Gestalt. Quem não sabe o que é, corra atrás AGORA, ou mude de profissão.

Enfim, o desastre foi feito.

Por último, outra dica: logotipos de duplo-sentido só devem ser aprovados e aplicados quando a idéia for realmente boa e o design for claro e coerente. Caso contrário, por favor, façam do menos, mais. Uma idéia genial não pode ser forçada.

Esse episódio é um grande alerta pra quem trabalha com criação. Planejamento é necessário, muito mais do que imaginamos. Além disso, meia dúzia de pessoas de dentro da agência não correspondem e nem representam a chamada “voz do povo”. Aí você vem e me contesta: - Diego, a voz do povo nem sempre é fator decisivo. Ok, então pergunte aos designers profissionais o que eles acham.