Por Diego Ghiggi, 30 de abril de 2009.



É inegável afirmar que as cores são elementos fundamentais em qualquer website. E quando eu digo qualquer, não é força de expressão. Por causa de suas qualidades atrativas, podemos utilizar determinadas cores para identificar áreas ou um determinado grupo de informações. Entretanto, não são todos os designers que utilizam essa estratégia corretamente ou coerentemente, praticando exageros em função de gostos pessoais duvidosos. Alguns cuidados com o uso de cores são de importância vital para um projeto, e conhecer a sua teoria é determinante na hora de conseguir lidar com a sua criatividade.

Para ser um bom designer, um quesito de extrema valia é saber aliar e balancear a intuição e a metodologia. Na questão das cores, isso se mostra ainda mais determinante, visto que muitos ainda desconhecem a total aplicação dos conceitos cromáticos em um layout.

Especificamente sobre a web, é preciso lembrar que em princípio e antes de tudo, um site é um projeto de design de informação.Todos os seus elementos devem convergir para uma eficiente e confortável experiência ao usuário. Sendo assim, é grande a necessidade de um bom embasamento teórico sobre o funcionamento das cores no meio informativo.

Algumas dicas sobre o bom uso das cores na web:

- Cuidado com excessos. Geralmente quem vem do design gráfico está acostumado a dosar bem as cores na parte impressa pelo seu alto custo, e quando migra para a web acaba aproveitando em certa demasia.

- Existem milhares de monitores diferentes por aí. A calibragem nem sempre é a mesma, e algumas tonalidades que são bem notadas em alguns, são praticamente imperceptíveis em outros. Muito cuidado.

- Quando quiser ressaltar a presença de um determinado elemento no layout, use sempre cores contrastantes.

- Uma boa dica para definir um esquema de cores para um website é visitar sites como o Kuler e o ColourLovers, onde existem centenas de opções de paletas das mais variadas.

24 de Abril de 2009

Um texto antigo do site WebInsider, do começo de 2005, mas que ainda segue e seguirá bem atual por um bom tempo. Aproveitem.

Casa de ferreiro, espeto de pau: enquanto cria mil sites para clientes e amigos, o designer não consegue nunca se decidir sobre o seu próprio site. Ser simples? Experimental? E agora?

Por Sandro Friedland

Trabalho com design para web desde seus primórdios no Brasil (lá pelos idos de 1996). Admito com relutância – jamais criei um site próprio, onde pudesse abrigar um portfólio e trabalhos pessoais. Tenho apenas o endereço de uma página, com uma lista de links para sites que eu já fiz.

Agora novamente procurando uma oportunidade no mercado, cabe a reflexão. Por que para uma parte (a maioria...) dos designers é tão difícil criar um portfólio personalizado, ou um site pessoal para mostrar nosso estilo?

Se nos apresentamos com este ou aquele rosto (um site mais moderno e limpo ou, de outra forma, um confuso e experimental) sentimos que isso nos definirá perante o mercado como sendo... aquilo.

Imaginamos um possível cliente falando: “Ah, mas o seu site é muito colorido; queremos alguém com um perfil mais corporativo”. Ou então “Seu site é muito certinho, queremos alguém mais ousado, com design realmente experimental”. (Existe um certo pensamento corrente – e discutível - de que o designer só é realmente bom quando mostra desenhos experimentais. Por isso a profusão de sites multicoloridos, cheios de setas em diagonal, gráficos vetorizados... Mas esse é um assunto comprido, fica para outra ocasião)

Talvez esta questão da visão do mercado seja real. As pessoas nos enxergam como nos apresentamos. Este é um dos motivos da existência da nossa profissão – criar identidade.

Ao mesmo tempo temos várias facetas. Seres humanos saudáveis estão em constante mudança e evolução. Nenhum design conseguirá abranger tudo isso.

Nosso lado profissional também muda e evolui. Assim, a solução seria trocar o layout do site constantemente. Mas a cada mudança podemos manter algo das versões antigas, para os visitantes reconhecerem o site como da mesma pessoa. São os “elementos de repetição” das teorias clássicas do design.

Quais seriam esses elementos? Justamente aquele “algo” que mostra nossa personalidade e estilo. Chegamos lá de novo.

Criar algo pessoal, que nos traduza como designers, nos obriga a uma boa dose de auto-análise. Uma tarefa e tanto! Por que parece tão difícil? Após alguma reflexão, cheguei a uma palavra: resistência.

Resistência em nos ver como somos, em mostrar a nossa identidade, em nos definir perante uma platéia. Somos criados (alguns, pelo menos) para ter um certo “pudor” em nos mostrar. Como, quando crianças, interrompemos a aula da professora para cantar uma música. “Isso não é coisa de criança comportada. Vai ficar depois do sinal no recreio.”

Em muitas profissões, a exposição não é tão necessária. Para o designer, essa questão é vital (essa situação vem mudando e cada vez mais todo mundo tem que aprender a lidar com o público e apresentar seu trabalho).

Talvez o melhor seja começar aos poucos. Nada de grandes pretensões logo de cara, sites de “tirar o fôlego” na primeira tentativa, revoluções da linguagem etc. Apenas estar lá. E trabalhar no site, pelo menos uma vez por mês.

Dizem que o primeiro passo é o mais difícil, justamente por se tratar do primeiro passo. O resto deve vir na base da inspiração e esforço. E claro, marcar o dia para inaugurar o site e mostrar para todo mundo.

Quando o meu estiver pronto, chamo vocês para irem lá ver... que friozinho na barriga! :)

Artigo original.

Confira como foi desenvolvida a criação da capa de Época edição 569.



Bela animação sobre a evolução das casas norte-americanas ao longo do tempo.



Autor do vídeo: Beeple

Por Diego Ghiggi, 14 de abril de 2009.



Sim. Contrariando o que muita gente pensa (inclusive alguns designers), os ícones têm importância fundamental no design.

A quantidade de pessoas que jogam quaisquer ícones em um website e considera o trabalho como feito é imensa. Para essa gente pouco importa se aqueles ícones trazem desconforto, ou que não combinem esteticamente com o site, ou pior de tudo, pouco importa se aqueles ícones não transmitem a mensagem que deveriam transmitir.

Pensemos assim: É impossível olharmos para algum objeto e não percebermos, ainda que de modo inconsciente, algumas propriedades dele. São esses valores lógicos e semióticos dos mais diversos tipos, que nos permitem categorizar aquele objeto em alguma escala de valores. Ícone nada mais é do que uma palavra usada para designar formas em seus diversos gêneros, suportando uma composição específica de valores que acabam tornando-as muito especiais. O resultado disso é a massificação na memória de um grande grupo de pessoas. Exemplo: Todos sabemos o que significa o X no lado direito superior de qualquer programa de computador.

Os primeiros ícones surgiram como metáforas para facilitar o entendimento do funcionamento dos sistemas. A estratégia deu tão certo que as pessoas lembravam mais da forma do ícone do que o próprio nome do comando que ele representava. A partir daí o valor estético dos ícones começava a ser explorado da forma atual.

No início da web como a conhecemos, esses ícones não tinham a função de facilitar a memorização e nem o aprendizado: era simplesmente pela estética. Logo após, com o ingresso massivo dos designers de interfaces na área, a funcionalidade foi agregada além da pura estética. O designer conseguiu mostrar que esses dois valores não precisavam competir entre si. É claro que uma iconografia harmoniosa, consistente e com bom acabamento agrega valor estético ao projeto gráfico. Assim como todos os outros elementos gráficos também têm este papel. Mas seu principal objetivo está em guiar o usuário na busca pela informação, ajudando na memorização de caminhos e tornando o meio digital mais amigável.

Portanto, não caia na armadilha de agregar ícones em seu site apenas como um esmero gráfico.

Por Diego Ghiggi, 11 de abril de 2009.

Um dos fatores mais importantes da necessidade do Design (no caso, para web) é a usabilidade. Claro, quando falamos de uma agência de criação, nos referimos a usabilidade principalmente como parte da arquitetura de informação, mas quem pensa que termina por aí acaba por se enganar.

A partir do momento em que se começa a desenhar um site, seja mentalmente, no papel ou no próprio computador, estamos lidando com um pouco de psicologia. E implementando essa psicologia para facilitar a vida do usuário. Desenhar o site engloba todo o processo de estruturação, desde a programação passando pela arquitetura de seus componentes até o estágio final do Design propriamente dito e sua implementação.

Quantas vezes nos deparamos com sites de navegação complicada, encontrar cada ítem leva uma eternidade. As informações se encontram dispersas na home, não existe definição correta de assuntos e de estrutura visual. Isso diminui a credibilidade, diminui o número de visitas, diminui o feedback e ainda causa irritação, transformando aquele site numa potencial referência ruim.

A Globo.com, só para citar um exemplo, sempre pede ao seus novos designers conhecimentos de navegação, arquitetura da informação e a tal usabilidade, em vez de exigir o domínio de Flash, Dreamweaver e Photoshop, como ainda costuma acontecer.

O mercado atual está começando a perceber que não adianta gastar rios de dinheiro em tecnologia se o usuário não conseguir aproveitá–la. Neste cenário, a usabilidade entra para que se pense nas pessoas que estão do outro lado do monitor acessando os sites. Um produto é criado para ser usado por alguém, por alguma pessoa. Uma maneira lógica de garantir sua aceitação é projetá–lo para que seu uso seja simples e fácil. Usuários iniciantes ou avançados precisam conseguir realizar facilmente as tarefas desejadas.

É realmente importante adquirir uma noção mínima ou básica sobre a usabilidade para trabalhar eficientemente com a web e tentar criar peças digitais pensadas exclusivamente no usuário.

Para facilitar o percurso desse usuário não existe um conjunto de regras fixas, mas vários caminhos para se alcançar o objetivo principal. Não importa a via escolhida, tudo se resume a organização, conteúdo e design. A harmonia desses três elementos aumenta o grau de usabilidade de qualquer site.

Por Diego Ghiggi, 9 de abril de 2009

Com a disseminação da Internet nos últimos anos, muita gente entrou no mercado de Web, e muitos desses que entraram intitulam-se webdesigners. Fizeram um site para a mãe e outro para o tio, utilizando tutoriais resumidos sobre Dreamweaver e Photoshop. Jogaram um Adsense em qualquer lugar, usaram rosa no fundo, e letra marrom Comic Sans (como eu odeio essa fonte). Afinal, era o que a mãe queria.

Bom, obviamente esse tipo de gente não é webdesigner. Pergunte a eles se sabem o que é Semiótica ou Gestalt.

Nos últimos anos eu venho me especializando muito nessa área, fiz diversos cursos entre Design Gráfico e Web, e ano passado entrei na faculdade de Artes Visuais na UFRGS. Aprendi muita coisa até agora e acho que seria interessante compartilhar, afinal eu sou mais um entre muitos, mas talvez o meu diferencial seja a intensa busca pelo conhecimento.

Inicialmente, quem pretende entrar nesse mercado precisa ter em mente uma coisa: bom relacionamento. Seja na faculdade, nos cursos, com amigos, clientes, amantes ou familiares, o relacionamento é fator crucial nessa profissão. Quem acha que ser um webdesigner é simplesmente entender muito dos softwares está completamente enganado.

Todos dependemos uns dos outros. Todo Designer tem clientes, sejam esses muitos ou poucos. Tanto faz. Assim como eles precisam da gente, nós precisamos deles, sendo assim, um bom relacionamento é crucial. É uma lei universal: precisamos de todos para sobreviver.

Outro ponto importante é sobre o trabalho propriamente dito, a maior parte é chata! No ambiente da faculdade pode parecer que todo o trabalho do designer é ultra-cool. Na vida real, na maioria do tempo mexemos com papelada, checamos fatos, rascunhamos coisas chatas, negociamos, vendemos, tentamos juntar dinheiro, pagamos taxas, e por aí vai. Se você não aprender a gostar do trabalho chato, o sucesso será mais difícil.

Existem também aqueles que são super talentosos, têm um ótimo relacionamento com qualquer pessoa, e entendem muito de Design. Mas além de tudo isso, dois fatores são essenciais para o sucesso nesse mercado: mostrar trabalho e divulgar. Do que adianta ser um ótimo profissional se não mostra seu trabalho e não divulga o que sabe fazer? Faça cartões de visita, cartazes, folders, invista em maneiras de divulgação pela Internet, e principalmente, faça os primeiros serviços de graça! Seja altruísta! Pode parecer idiota, mas dois ou três trabalhos que você fizer gratuitamente provavelmente vão trazer dez ou vinte que renderão dinheiro. Além disso, enriquece seu portfólio e acabam virando referência.

Uma ótima maneira de divulgação e relacionamento na Internet é criar um site de conteúdo dinâmico, como esse blog. Isso aumenta a humanização, e traz mais confiança e credibilidade para o potencial cliente, que percebe que você está vivo e atualizado.

Outro fator importantíssimo é a pesquisa. Pesquise! Faça um banco de dados, um banco de imagens no seu computador, colecione matérias sobre o mercado. Cadastre-se em fóruns também. Seja curioso e pergunte sempre o que não souber - essa é uma dica essencial que eu mesmo ainda tenho que colocar em prática.

Talento não é tudo. É importante em qualquer profissão, mas não é garantia de sucesso. Sorte e trabalho duro são fatores igualmente importantes. Na verdade, se você não é muito talentoso, pode ainda se dar bem caso invista nesses outros dois fatores - só não me pergunte como investir na sua sorte.

Designers também são obsessivos por natureza. Aprenda a não pensar muito em um problema, não tente prolongar/complicar quando a solução já existir. Faça o que tem que ser feito e pronto. Remoer obsessivamente algum problema pode causar loucura, e você sabe muito bem do que eu estou falando.

Por último, mas não menos importante, controle seu ego. Excesso de confiança é tão prejudicial quanto baixa auto-estima. Você não é o rei da cocada preta, nem o maior artista do mundo, sempre vai existir alguém melhor que você, e isso não é nenhum demérito. Concentre-se em ser melhor, mas nunca pense que conseguiu. Além disso, arrogância afasta as pessoas, e o relacionamento e sua importância já foi falado por aqui. Provavelmente alguns chegarão para você e irão dizer que você é muito bom, lindo e maravilhoso. Isso acaba cegando muita gente.

Seja humilde ao lidar com problemas. Identifique e aceite sua ignorância. Não abuse de seu poder de criação, nem subestime suas dificuldades, caso contrário você poderá ser surpreendido - e não será uma surpresa agradável.

Acho que já falei demais, mas sempre é bom organizar o pensamento. Espero que essas dicas sejam de valia para alguém, até mesmo pra mim, que ainda tenho que colocar em prática algumas delas.

Por Diego Ghiggi, 9 de abril de 2009

Olá!

"Preciso de Design?" tem como intuito reunir textos, informações e discussões sobre Design e a sua necessidade. O conteúdo colocado aqui abrangerá pensamentos tanto para lado do cliente, que busca informação sobre a vantagem do uso do Design, quanto para o lado do próprio designer, que expõe seu ponto de vista sobre a importância dessa área.

Os assuntos discutidos aqui englobam diversos setores em que o Design se mostra necessário, e o porque dessa necessidade. O crescimento do mercado é visível, e quanto mais conteúdo surge, mas existe a necessidade de organizar e discutir. Fora do Brasil, as referências na área são das mais variadas e em alta quantidade. Infelizmente por aqui temos pouca coisa, e o que podemos fazer é contribuir para o crescimento da melhor forma possível.

Os posts são abertos a comentários, deixando a você o discernimento para expor suas opiniões de forma amigável e sempre com respeito. Caso contrário eu me dou ao direito de agir da forma que achar plausível para as situações que se mostrarem necessárias.

Meu nome é Diego Ghiggi, tenho 23 anos, moro em Porto Alegre - RS e sou designer freelancer por paixão e aptidão. Faço faculdade de Artes Visuais na UFRGS e tenho como meta desmistificar o Design. Sabe aquela história de "você é designer? legal, desenha alguma coisa aí!" ou "você trabalha com webdesign? legal, quero formatar meu computador!"? Então. É dessa desmistificação que eu falo.

Meu portfólio está aqui: www.dighi.net

Estou sempre aberto à discussões sobre nosso querido universo. E profissionalismo acima de tudo.